Produtores trocam grão pelo leite

27/02/2013 00:04

 

São Lourenço do Oeste – Não é de hoje que agricultores têm migrado para a produção leiteira, deixando a safra de grãos em segundo plano. Santa Catarina é o quinto produtor nacional, responsável por 8% do volume produzido e sua produção total deverá girar em torno de 2,7 bilhões de litros.

Sildo Dall Agnol, 71 anos, começou a investir na atividade leiteira ainda na década de 90. Um dos produtores mais tradicionais do município de São Lourenço do Oeste, ele não se arrepende de ter trocado o grão pelo leite.

Ao lado da esposa Deolide, 68 anos e do filho Neuri, 41 anos, o único dos seis a permanecer ao seu lado na propriedade, Dall Agnol conta que após a alta inflação no fim dos anos 80, produzir o feijão, milho e engordar suínos, suas atividades diárias, não se tornaram mais vantagem. Com as dívidas aumentando, ele conseguiu financiar algumas vacas de leite através da Cooperativa Agropecuária de São Lourenço (Caslo) e começou uma nova produção.

Estiagem

O volume de leite entregue a indústria catarinense, em 2012, vinha crescendo no período de janeiro a agosto a uma taxa superior a 20%, quando comparado a 2011, mas a estiagem prejudicou o desenvolvimento das pastagens e a captação de leite no estado diminuiu. Estima-se que o volume de leite recebido pelas indústrias de Santa Catarina, em 2012, tenha ficado 15% superior a captação de 2011.

O produtor lourenciano também se lamenta da seca vivida nos últimos meses. O leite, vendido a uma margem de R$ 0,96, chegou a ficar empatado com os gastos em produção. Com um plantel de 75 vacas, sendo 34 em produção, Dall Agnol chegou a ter mil litros de leite diários em 2012. Este ano, ele contabiliza apenas 800 litros diários. “A pastagem e a produção fica muito cara”, explica o produtor. Mesmo com as últimas chuvas, ele garante que a produção ainda não está 100%.

Incentivo

Dall Agnol conta que o leite ainda é melhor negócio que o grão. Com uma propriedade de 22 alqueires, ele tem parte da terra arrendada e no restante cuida do seu plantel. Para ele, quem deseja investir na atividade deve ter, primeiramente capricho no leite. Para isso, o produtor investe em sêmen de qualidade, uma parte comprada e outra parte recebida da prefeitura.

O secretário de Desenvolvimento Rural de São Lourenço do Oeste, Idalino Bampi, diz que o município possui 61 inseminadores, pessoas das próprias comunidades. A prefeitura compra o sêmen e repassa gratuitamente a estes inseminadores, que repassam aos moradores de acordo com os pedidos. Bampi  destaca ainda que a prefeitura está auxiliando no escavo para a silagem e vai investir em mais orientações para o produtor de leite, principalmente naqueles que estão iniciando na atividade.

Saiba Mais

- Em 2012, a importação de lácteos, em equivalente leite, segundo estimativa da Epagri-Cepa, calculado a partir dos dados de importação de lácteos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) foi de 1,170 milhões de litros, 8,6% maior que o volume importado em 2011.

- Este volume de leite é bastante significativo, pois representa, aproximadamente, 5% do volume de leite captado pela indústria nacional. Comparando com os números de Santa Catarina, a importação brasileira, em equivalente leite, representa aproximadamente 57% do leite coletado pelas indústrias catarinenses.

- Em Santa Catarina, os preços médios levantados pelo Epagri-Cepa, e corrigidos pelo IGP-DI, também foram menores que os preços registrados em 2011. O preço corrigido de 2011 foi R$ 0,81 e de 2012 foi R$ 0,79, uma diferença de -2,3%.

 

Fonte: RedeComSC

 

 


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